fingindo que gosto de todo mundo na sala 22 22UTC fevereiro 22UTC 2010
Posted by diose in filosofando.Tags: afetividade, pensamentos, prática, sala de aula
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Esta semana tive um momento de lembranças sobre o ano que passou, e dentre elas me vieram momentos na sala de aula em que o contato meu com determinada criança fora determinante para o sucesso da atividade.
Veio a mim a célebre frase de uma professora durante a graduação, que pregava que “vocês tem que cuidar de todos da mesma maneira, sem distinções”. quando fui para a prática, percebi o quanto esta colocação era hipócrita.
Refletindo percebi que em determinados momentos apenas eu era capaz de realizar alguma coisa, com por exemplo, tirar um dos pequenos do berço – se fosse uma colega de sala, teríamos choro e um mal-humor durante toda a tarde. Então, o que fazíamos é que neste caso, sempre procurava ser eu a tirá-lo do berço, o que garatia-nos uma tarde tranquila. Da mesma maneira, havia uma menina que preferia minha colega para tudo, do vestir-despir-se aos lanches, atividades e preparativos para casa. Sempre procurei não intervir nisto, porque considerava contraproducente.
Mas ao dialogar com uma professora sobre a minha impressão do contato entre professores e crianças, a resposta e a reprimenda foi a mesma: você deve evitar isto, tratamento diferenciado dentro da sala de aula. Antes, eu aceitei, mas desta vez, resolvi argumentar.
Em primeiro lugar, evitar que uma criança tenha contatos com determinado professor por questões de igualdade é, no mínimo, ridículo. Os seres humanos são diferentes e tentar equipará-los, nivelá-los é fruto de um pensamento igualizante que mata as diferenças entre as pessoas, agrupando-as num grupo único e ignorando nuances da personalidade.
Em segundo lugar, quando o professor trata todas as crianças como se fossem uma só está se esquivando de observar detalhes das personalidades das crianças, bem como perceber que, sendo diferentes, crianças tem necessidades diferentes. As necessidades de afeto e de atenção sõ diferentes entre irmãos, porque não o seriam entre crianças?
Hoje trato a questão de maneira bem diversa. Deixo claro que sim, tenho meus preferidos, mas eles tem direitos e responsabilidades por serem assim tratados. Eles/as não o são porque seus pais são importantes ou porque “puxam meu saco”, mas porque existe uma afinidade entre nós que eu exploro de maneira a educá-los, tirar deles o melhor para o mundo. Hajo de modo igual no que eles são semelhantes, como a maioria das atividades, mas algumas coisas procuro especificar para cada estudante, como atividades mais/menos complexas ou o afeto dispensado. E tem sido muito mais produtivo do que nivelá-los e tratá-los como se fossem um único modelo de criança, sem defeitos nem qualidades. Eles não são assim, e tratá-los como tal é ser, no mínimo, incoerente.
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