sobre como matar a afetividade da infância 22 22UTC fevereiro 22UTC 2010
Posted by diose in filosofando.Tags: afetividade, infância, meninos
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Pior que professor auleiro, só professor machista/feminista, que adora defender extremos. Menino pode isto, menina não pode aquilo… isto me traz, para deixar por baixo, nojo.
a foto abaixo foi uma das mais lindas que tirei este ano:
e por incrível que pareça, a quantidade de pessoas questionando se eu permitia que ele sempre brincasse assim, se eu não achava estranho… etc, foi absurda.
Não, cara-pálidas, eu não acho estranho que ele brinque de bonecas nem evito isto, pelo contrário, esta criança tinha uma relação tão forte com as bonecas que nos trazia-as junto com um pano/toalha para que a envolvêssemos para que ninasse-a. Nunca reprimimos isto, justamente por entender como um processo básico e necessário de imitação – talvez nós na sala, talvez a mãe/pai em casa, ou alguém que ele tenha visto.
Mas os professores e pais mais “tradicionais” (diria eu que arcaicos) se não vissem isto como errado por ser “brincadeira de menina” talvez dissessem inclusive que “esta coca é fanta”… pra não dizer que ele tivesse tendências homosexuais. Aos dois anos. E tem gente que ainda se pergunta porque o Brasil não vai pra frente.
E depois vem a mim questionando porque permito isto. Depois de algumas explicações bem científicas e claras (alguns aceitam, outros preferem reproduzir os conceitos sexistas de sempre) pais e mães ficam mais tranquilos quanto a sexualidade de seus filhos. mas deixando uma coisa bem claro o fato do menino brincar de boneca e a menina jogar futebol não determinam a sexualidade. nem interferem nela.
Brincadeiras são um modo de compreender a realidade, reproduzí-la e reelaborá-la. O menino está imitando a mãe/o pai, aprendendo as relações de cuidado entre os seres humanos e reproduzindo-as com a boneca. Eu vejo como uma das coisas mais belas da educação, o momento em que o Eu volta-se para o outro, mesmo que seja uma boneca. Reprimir isto em nome de estereótipos que não melhoram nosso mundo é pensamento de quem está confortável com a posição que ocupa.
Do mesmo modo vejo a absurda dificuldade de alguns pais e professores para tratar da afetividade das crianças com os colegas, sempre pautada pelas relações dos adultos com outros adultos. Meninos que se beijam e se abraçam são logo tratados como tendo problemas; meninas podem, porque são mesmo meigas… mais ridículo que isto só pedir para os meninos coçar o saco e cuspir não chão pra provar que são machos. Aos 4 anos. Insegurança dos adultos transmitida as crianças.
Crianças tem na afetividade uma das principais ferramentas de aprendizagem. Por diversas vezes pus marmanjos de 6, 9 11 anos no colo para conversar, e nenhum deles deixou de ser homem por causa disto. Pelo simples fato de que eles não são homens, são crianças, meninos, e como tal, merecem respeito pelos seus sentimentos e suas necessidades. Reprimir manifestações de afeto na infância trará apenas uma consequência: adultos travados, sem consideração uns pelos outros, que lotarão as salas dos analistas em busca dos motivos pelos quais não conseguem estabelecer laços afetivos.
Está em nós evitar isto. Sinto muito meus colegas analistas, mas alguns de vocês terão menos pacientes.
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