educandário

21 21UTC Janeiro 21UTC 2008

filme: minha vida em cor-de-rosa

Arquivado em: filmes, idéias, pedagógicas — diosem @ 2:15 PM

Laranja, amarelo, vermelho e rosa, muito rosa, de vários matizes. Mais escuros, mais claros, mas inconfundíveis na sua graça, leveza e sinal de feminilidade e doçura. Essas são as cores que se destacam em Minha Vida em Cor-de-Rosa (Ma vie en Rose, 1997) O filme dirigido por Alain Berliner conta brevemente a história de Ludovic, um menino de sete anos que tem certeza de ter nascido no corpo errado. Ele sabe que gosta de brinquedos diferentes, roupas diferentes, e brincadeiras diferentes. Ludo (assim chamado carinhosamente por aqueles que dele gostam) age, pensa, sente e sofre como um menina. O conflito entre o que Ludo deseja e o que seus pais acham melhor para ele resplandece durante todo o filme. Logo no começo percebe-se a tônica do filme: o carinho a compreensão entre pais e filhos numa sociedade que não aceita o que não é padronizado, controlado e modelado. Ludo brinca e se diverte com a mãe e avó numa troca de carícias e afeto que chega a ser melosa, mas que nos traz lembranças de uma infância em que carinho não era tabu nem desculpa. A fotografia do filme prima por cores quentes, como quente é a relação de amor e ódio que a mãe tece com o filho “bom em disfarces”, como cita o pai na festa de recepção do bairro à nova família padrão.

A mãe de Ludovic é a mãe padrão: preocupa-se com tudo em com todos, generaliza sua atenção e acaba não percebendo pequenos detalhes da vida cotidiana. Sua compreensão das vivências (trans? homo? bi?) sexuais do filho tem com limiar a visão que os vizinhos tem da família e do pequeno Ludo. Inicialmente todos encaram como uma brincadeira, que há de passar; mas o tempo passa, e a única mudança que ocorre é que Ludo encontra uma explicação científica para o que sente com sua irmã mais velha. Não há conversas de pai-filho, mãe-filho, não se discute o que Ludo sente. Há apenas uma pressão social para que ele se encaixe num corpo-modelo-arquétipo que não compreende, e que fica mais forte ainda quando a sua mãe lhe encontra “casando” com seu “noivo” no quarto da filha morta da família vizinha (vale ressaltar que Ludo e o menino da casa ao lado desenvolveram uma relação de amizade-amor muito forte, mas de uma pureza tocante), e com um vestido dela. “Você é homem, jamais será uma menina!” gritam todos na casa revoltada pela travessura inocente de quem não compreende sua identidade.

Pois, meu caro Sr. Sérgio, o amigo há de ter a bondade de ir ao cabeleireiro deitar fora estes cachinhos...”

 

A frase do Ateneu, de Raul Pompéia, resume a cena que mais toca no filme: Ludovic tem seus cabelos cortados, dissipando-se assim qualquer intenção dele de ser menina, ou melhor, de ser ele mesmo. Junto com suas mechas vão seus sonhos, suas vivências, mas um novo tempo começa.

Ludo era homo(bi)(trans)sexual? não se pode definir, até porque esse não parece ser o mote principal do filme. As crianças tem relações muito diversas em relação aos companheiros de brincadeiras, e em certas fases da infância, a prioridade é o próprio sexo. Isso não pode ser encarado como homossexualidade, mas como um processo necessário à compreensão do seu papel como ser humano. O que marca no filme é a necessidade de priorizar o diálogo com a infância, não apenas ouví-las, mas elevar a nossos sentimentos na ponta dos pés, para não machucá-las.

8 08UTC Outubro 08UTC 2007

Dia das Crianças. Será?

Arquivado em: filosofando, idéias, pedagógicas, políticas — diosem @ 2:38 PM

Ontem a tarde o comércio da minha cidade estava aberto para os papais e as mamães comprarem seus presentes para o dia nacional de estímulo ao consumismo infantil Dia das Crianças. Curiosamente, não encontrei livrarias, papelarias, sebos ou bancas de jornais abertas. Estranho?

Dia das Crianças não me parece ser, exatamente, das crianças. É dos presentes para elas. É o dia em que muitos pais e mães decidem “provar” que amam seus filhos, que se importam com eles, que gastam com eles. Isso mesmo, gastam, gastam dinheiro. Revoltei-me com as livrarias fechadas porque percebi um desestímulo a qualquer outro presente que não sejam brinquedos (caros), celulares, roupas (caras e adultas) e computadores.

Não tinha eu ido ao centro da cidade para comprar presentes para as minhas crianças (não tenho filhos [não de sangue]), mas para adquirir um livro que, de certo modo, seria para eles. Fiquei triste por asseverar que a mesma mídia que estimula os pais a tratarem seus filhos como crianças os faz estimulando-os a comprar brinquedos, celulares, computadores, mas quase não os estimula a brincar com seus filhos, dialogar com eles e ensiná-los a usar o computador não somente para acessar o Orkut mas para ampliar conhecimentos.

Rever a idéia do dia das crianças? vai  ser bem difícil sem repensar o consumismo.

4 04UTC Setembro 04UTC 2007

a professora e os palavrões

Arquivado em: notícias, pedagógicas — diosem @ 2:45 PM

    Todos acompanhamos a reportagem exibida semana passada nos telejornais e sites sobre o caso da professora que mandou seus alunos pesquisarem palavrões no dicionário e está sendo processada pela família de alguns alunos, que consideraram a atividade “infeliz”. Bem, é um caso bem complexo de ser pensado, ainda mais considerando a sociedade brasileira e seus “padrões culturais”. Com certeza esta professora quebrou a rotina da sala de aula e isso é louvável, mas acredito ter faltado um diálogo com os pais sobre o acontecido. Pela reportagem que vi, a idéia da atividade partiu da quantidade de palavrões que as crianças falavam. Então me pergunto, se a intenção desses pais fora proteger os filhos, que espécie de proteção é essa que pune a pessoa que encontra meios de suprir a necessidade das crianças de conhecimento? Sempre haverão aqueles, que, exaltados, dirão: “mas as pobres criancinhas inocentes devem ter aprendido os palavrões com os adultos”. Sim, e compreendo isso, mas se elas estão repetindo, ou não sabem o que significa, ou é interessante para o contexto delas. Porque negar-lhes o conhecimento do significado real das palavras ditas palavrões? ou alguém não sabe que caralho é o local no mastro das antigas caravelas onde ficavam os marinheiros punidos?
Funk pode né?

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Now playing: Michael Jackson – Earth Song
via FoxyTunes

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